Saiba o que é Fakenews para entender quando ocorre a censura.

July 25th, 2018

“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”

(*) Essa frase é erroneamente atribuída à George Orwell. Na verdade, é um ditado popular que existe entre os jornalistas desde os primórdios da imprensa norte-americana. A frase já apareceu em um jornal em New York em 1918. Mesmo antes, já existia em cartaz no escritório de um jornal em Chicago, mas era anônima.

https://quoteinvestigator.com/2013/01/20/news-suppress/

A separação entre interesses comerciais e princípios editoriais é a última fronteira do jornalismo de qualidade. É o limite que diferencia um jornalismo de qualidade de um jornalismo subserviente (sujeição servil à vontade alheia, submissão voluntária a alguém ou a alguma coisa; ato ou efeito de bajular; adulação, bajulação) e que propaga notícias falsas (Fake News) movido por diversos interesses.

Pior ainda é usar o escudo de alegada “Fakenews” para a prática de censura. Fakenews pode se tornar a nova arma para a prática da censura. É o que estamos assistindo no Brasil, com o Facebook atacando apenas os perfis conservadores e de direita. Veja aqui:

Não há nada pior do que um jornalista com temor reverencial, ou seja, com receio de desagradar certas pessoas, principalmente as poderosas, o seu superior hierárquico ou com medo de autoridades em geral. E também desagradar seus patrocinadores, como o caso envolvendo a matéria do jornalista Filipe Coutinho sobre o Bradesco $BBD divulgada adequadamente apenas no site BuzzfeedNews Brasil.

Não é mais novidade para ninguém que a guerra contra as notícias falsas (Fake News) se converteu na principal preocupação no meio jornalístico. Umberto Eco, pouco antes de morrer (morreu em 2016), disse que a função do jornalismo no futuro seria dizer o que era ou não verdade na Internet.

A compreensão do que abrange a expressão “fake news” é complicada. Não são apenas as notícias falsas, mas todas as formas de manipulação existentes e que gravitam ao redor desse “novo negócio” das notícias falsas. Por isso, jornalistas e pesquisadores falam do surgimento de verdadeiros “ecossistemas de desinformação”.

Jornalistas dizem que pesquisas indicam que todo mês, milhões de pessoas compartilham informações erradas, simplesmente falsas ou maliciosas pelas redes sociais. No Brasil, em média, cada pessoa tem 200 “amigos” no Facebook. Logo, com um clique, informações falsas podem alcançar milhões de internautas. E isso está crescendo ainda mais em grupos de WhatsApp, principalmente os grupos de integrantes de uma mesma família.

Professores de jornalismo dizem que:

“A crise do modelo de negócios da imprensa tradicional deve continuar até ela encontrar alternativas para criar receitas. A alegação de que são vítimas de pirataria editorial pode impressionar alguns, mas tende a perder consistência à médio e longo prazo, na medida em que as leis e regulamentos sobre direitos autorais devem ser alterados para contemplar a liberdade de circulação de dados e informações, hoje um pré-requisito para políticas de inovação industrial e tecnológica.”

Diante da quantidade imensa e diária de notícias, sem que possamos confiar plenamente em sua credibilidade, integridade e isenção, especialistas entendem que deve crescer a tendência das pessoas a buscar referências em jornalismo locais.

A informação em massa nos levou a um paradoxo. Temos informação demais, mas nos faltam instrumentos confiáveis para avaliá-la, porque a sobrevivência dos grandes impérios jornalísticos levou-os a priorizar interesses financeiros e políticos em prejuízo do interesse público.

Neste ponto o Facebook pode ter alguma razão ao priorizar a informação local na sua polêmica reprogramação de algoritmos, mas talvez tenha perdido de vista que seu modelo de negócios está baseado numa versão digital da comunicação em massa. O dilema de Mark Zuckerberg é, neste ponto, igual ao dos jornais: como ganhar dinheiro com noticiário local ou segmentado por interesses, na Internet.

Notícias falsas sempre existiram, mas sua disseminação nunca foi tão intensa quanto hoje em dia, justamente por conta dos avanços da tecnologia, da Internet, das redes sociais.

Com o avanço das tecnologias da informação, Internet, incluindo os algoritmos e a inteligência artificial, têm surgido técnicas muitíssimo sofisticadas para manipular informações, incluindo áudios e vídeos.

Vejam essa pesquisa desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Stanford desde 2016, nos Estados Unidos, em conjunto com o Max Planck Institute e a Universidade de Erlangen-Nuremberg da Alemanha.

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ohmajJTcpNk

“O mundo mudou, a Internet e as redes sociais estão retirando dos veículos tradicionais grande parte das receitas em publicidade. As dificuldades econômicas acabam levando as organizações da imprensa ao vale-tudo por audiência, leitores e anunciantes.”

Jornalistas e o público literalmente “fabricam” notícias falsas. Não publicam uma transcrição da realidade. Por mais que se esforcem, não dão uma cópia da realidade — mas a realidade de acordo com diversos interesses: ideológicos, políticos, estratégicos, econômicos, etc.

A primeira regra para o jornalista comprometido com o trabalho é colocar a realidade, a verdade, em primeiro lugar. Um jornalista responsável não produz notícias falsas, nem notícias exageradas ou notícias corrompidas. Não subordina o relato honesto à coerência ideológica ou ao ativismo político. Não tenta agradar anunciantes ou se ajustar aos interesses comerciais do veículo — nem às preferências do público.

Estamos vivendo a época do “Jornalismo Patrocinado”. Nas redações dos jornais, emissoras de TV, rádio e canais de Youtube e outros veículos de Internet, más notícias são, na verdade, boas notícias do ponto de vista do negócio da imprensa. Porque notícia ruim é que vende jornal, aumenta a audiência da tv e do rádio, e faz crescer a audiência dos sites e blogs. Não é o tempo bom o que chama a atenção, infelizmente, e sim o furacão, a tempestade, o desastre, a tragédia. Fakenews se tornou um lucrativo negócio e provoca danos muito piores do que o jornalismo sensacionalista.

E é bom que você saiba: tem muita gente lucrando com sites que publicam “fake News/notícias falsas”, quer dizer, mentiras, como se fossem “verdades”.

Mentiras repetidas várias vezes viram verdades, dizia Joseph Goebbls no comando da propaganda nazista no período de 1933 a 1945, quando ainda a comunicação se restringia as ondas do rádio e folhetos.

Existe hoje um confronto entre interesses comerciais divergentes onde cada lado procura levar vantagem. Imprensa e redes usam o que chamam de interesses do público de acordo com as suas conveniências. Os jornais lutam pela sobrevivência econômica e política de um modelo de negócios que está severamente ameaçado pelas transformações provocadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação.

Já as redes sociais sabem que passado o impacto da descoberta de uma nova forma de relacionamento interpessoal via internet, haverá uma inevitável segmentação por interesses individuais.

O bom jornalismo é o que vai atrás, que checa as informações, comprova com dados e fatos o que está acontecendo. As tradicionais regras de jornalismo ganham ainda maior importância nesses tempos de Fake News. Principalmente o jornalismo investigativo.

É verdade, no entanto, que a imprensa da atualidade, acaba obrigando o jornalista a informar de forma mais rápida sobre determinado fato e a apuração pode ser malfeita, justamente por conta dessa necessidade presente em todos os veículos de correr para informar o fato o mais rápido possível, com cada vez menor preocupação de aprofundamento do conteúdo. A preocupação com a qualidade da informação passa a ser secundária.

O que se vê, são repórteres divulgando algo que foi dito de uma fonte questionável e que acaba se perdendo no grande fluxo de informações. A necessidade do factual (Que se atém aos fatos, sem buscar interpretá-los, investigar, checar. O importante é divulgar rapidamente o fato que os outros também estão divulgando)  — exigida pelas empresas do segmento de imprensa reduz a reflexão, pois tudo é feito para atender um público que exige mais velocidade em relação à qualidade. Com isso, surge um público cada vez menos crítico e a notícia curta cria o costume de ler ou aprofundar-se muito menos do que antigamente.

CASOS FAMOSOS

Uma pesquisa também realizada pela Universidade de Stanford, com 7.804 estudantes americanos dos ensinos fundamental, médio e superior, concluiu que é “lamentável” a capacidade dos jovens de processar corretamente informações divulgadas nas redes sociais.

O pesquisador Sam Wineburg, que conduziu o estudo, afirmou: “Muita gente acredita que os jovens, bem ambientados nas mídias sociais, têm perspicácia para compreender o que leem. Nosso trabalho mostra que o oposto disso é verdadeiro.”

Num dos testes, os estudantes deveriam analisar uma publicação com a foto de uma flor supostamente modificada pela radiação da usina de Fukushima, atingida pelo tsunami de 2011. A publicação não trazia fonte ou indício de que a foto havia sido tirada perto da usina nem evidência de que a flor havia sido modificada pela radiação. Ainda assim, 40% acreditaram na veracidade por achar que havia informação suficiente para lhe dar crédito.

JAYSON BLAIR – THE NEW YORK TIMES

Um dos casos mais famosos de fabricação de notícias falsas em todo mundo ocorreu nos Estados Unidos e envolveu um repórter chamado Jayson Blair, que trabalhava para o The New York Times. Depois de meses produzindo matérias recheadas de observações inventadas e entrevistas que nunca aconteceram, Blair se demitiu do Times. Algum tempo depois, a história de Blair virou manchete do próprio jornal em que trabalhava, que dizia: “Repórter do Times que se demitiu deixa longa trilha de enganação”.

Duas perguntas para você fazer para o seu amigo jornalista: 

1. O comitê de Ciência e Tecnologia do Parlamento da Inglaterra abriu um inquérito para examinar o uso crescente de algoritmos (e inteligência artificial) na tomada de decisões públicas e privadas. Já se sabe que os algoritmos usados na Internet algoritmos muitas vezes não são imparciais. Os próprios algoritmos podem conter os preconceitos presentes nos criadores do algoritmo ou nos dados que foram usados para treinar o algoritmo.

Alguns denominam este fenômeno como “Machine bias” / “Algorithm bias” ou simplesmente, Bias. É o viés tendencioso. Especialistas em Inteligência artificial concordam que a remoção de tal viés tendencioso em algoritmos não é trivial e é um campo de pesquisa em andamento. Os desvios são difíceis de serem descobertos se o algoritmo for muito complexo (como são os utilizados pelo Google e Facebook), pior ainda se forem secretos.

Muitos sistemas de aprendizado de máquina são verdadeiras “caixas pretas”, cujos métodos são difíceis de interpretar.

Devemos estar atentos ao fato de que a Internet (em grande parte dirigida por processos algorítmicos) pode também ser injustamente prejudicial ou manifestar-se contra alguém ou alguma coisa, especialmente em vídeos, textos e imagens selecionadas pelos algoritmos. Esses serviços de Internet são podem muito ser tendenciosos.

Sabemos que as FAKENEWS são alimentadas por algoritmos e inteligência artificial na Internet. Como você vê esse desafio? Como lidar com o algoritmo tendencioso, capaz de mudar a opinião pública, destruir a credibilidade e a reputação de pessoas, influenciar nos resultados de eleições, etc.? Essas empresas de Internet se tornaram grupos extremamente poderosos, com capacidade até mesmo de mudar regimes em determinados países, provocar protestos, etc. O que pensa a respeito?

2. Nós vimos que as FakeNews fazem parte, na verdade, de um grande ecossistema de desinformação. O Wall Street Journal publicou uma matéria com o título: “Pagando professores: dentro da campanha de influência acadêmica do Google” e que mostra como funciona o financiamento de acadêmicos, pesquisadores e professores por grandes empresas como o Google, com o objetivo de que esses professores possam produzir trabalhos acadêmicos que atendam os interesses jurídicos, estratégicos, políticos e econômicos da empresa. Financiam grupos de pesquisas, ONGs, think tanks (fábricas/laboratórios de idéias), projetos envolvendo o Judiciário, Legislativo, etc. Esse fenômeno ocorre no mundo todo. Da mesma forma que agora temos o “jornalismo patrocinado” e as fakenews, também corremos o mesmo risco nos trabalhos acadêmicos? A matéria do Wall Street Journal teve grande repercussão na imprensa dos Estados Unidos. No Brasil, nada se falou a respeito. Não é o momento de reportagens investigativas sobre isso no Brasil também?

Link: https://www.wsj.com/articles/paying-professors-inside-googles-academic-influence-campaign-1499785286?mod=e2tw

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