Éducation Médiocre

Prof. Antônio Vicente Golfeto e Prof. Pythágoras Daronch Silva
(Duas grandes referências na cidade de Ribeirão Preto em experiência, sabedoria e inteligência)

Sou nascido em Ribeirão Preto, então posso dizer: é uma cidade provinciana, uma “fazendona” com cerca em volta. Engana muito bem quem vem de fora. Culturalmente, é um desastre. A classe dominante, salvo raríssimas exceções, é composta por ignorantes e desocupados herdeirinhos do agronegócio e que agora são obrigados a ceder os espaços de seus históricos feudos para aqueles que eles denominam com todo o recalque possível de forasteiros invasores e outras denominações roceiras. O que ocorre com os forasteiros invasores – é que eles formam o seu próprio grupo e irritam ainda mais as gerações herdeiras que a cada dia, obviamente, ficam mais pobres – em todos os sentidos. Antigamente havia uma disputa evidente entre as famílias dos comerciantes des Champs-Élysées e a turminha do Sumaré e Alto da Boa Vista. Ribeirânia era terra de forasteiros. Ribeirão é hoje centro agregador de famílias especialmente oriundas de São Paulo (Capital) que buscam melhor qualidade de vida. Já virou cidade grande. Não é mais aquela Ribeirão Preto dos anos 70 e 80 que conheci tão de perto.

Ribeirão Preto, historicamente uma cidade de passagem, repito, sempre foi um desastre na área cultural. Não prestigia adequadamente pessoas como o Prof. Pythágoras Daronch Silva, “forasteiro gaúcho”, sociólogo, teólogo e filósofo que estudou com Fernando Henrique Cardoso, passou pela Universidade de Genebra na Suíça, fez mestrado em ÉTICA em New York, USA (1967) – orientado por Johannes Christiaan Hoekendijk. Ex-aluno de Jean-Paul Sartre e outras figuras impressionantes. Domina o idioma grego, inglês, francês. É uma das pessoas mais inteligentes, éticas e sérias que eu conheci aqui na roça. Uma honra para a nossa rústica comunidade campestre. E isso, só para dar 1 (um) exemplo. A alma mater do Golfeto é o Otoniel Mota. Nem preciso falar o currículo.

A ética é ontológica. Não existe ética na política. Existe o ser político ético. Se ele não é ético, automaticamente não haverá uma política ética.” (veja aqui) – Nicolau já dizia: “A primeira conjectura que se faz de um governante e de seu cérebro é ver os homens que ele tem em seu redor”

Já em relação ao cenário nacional, meu comportamento (com semelhante temor e paranóia) – será igual ao do Geraldo Vandré nessa entrevista:

“Consegui ser mais inútil do que qualquer artista. Sou advogado num tempo sem lei.

O investimento na área social é fundamental para o Brasil amadurecer como país.

A única solução para o Brasil é a educação.

Veja o que diz o jornal francês Le Monde: “L’éducation, véritable talon d’Achille du Brésil, demeure médiocre, notamment dans le primaire et le secondaire, et empêche de former la main d’œuvre qualifiée dont le pays a besoin en cette période de croissance.” (leia aqui)

É indispensável fazer uma grande transformação em todo o sistema educacional. Nenhum político tem a coragem de dizer a verdade, sob o risco de ser obviamente mal interpretado pelo povão fã do BBB. Qual verdade? –O povo brasileiro é ignorante.” – O concurso público para professor e a carreira docente – deveriam ser totalmente modificados e reconstruídos com base no modelo adotado para magistrados e promotores de justiça, por exemplo. O salário inicial de um professor poderia ser no mínimo uns R$ 18.000,00. Quero ver se não teríamos professores capacitados. Quero ver se o sistema educacional não seria totalmente reestruturado. Quero ver se a qualidade do ensino não seria muito diferente da absoluta decadência atual.

É o que eu vi escrito em uma placa na sala dos professores de uma escola nos Estados Unidos: “Our job is to teach and give and teach until the burden of ignorance is lifted” – Agora, se o professor também for um boçal, aí meus amigos, não adianta.

Mas uma coisa é assustadoramente certa, esse povo da “Well”, esse povão da velha elite herdeira de Ribeirão Preto tem razão em relação a alguns forasteiros.  Dou o braço à torcer. Eles acertaram. Mas ainda assim, prefiro aquela música do Sérgio Reis e do Almir Sater feita especialmente para explicar o que estou dizendo aquihttp://www.youtube.com/watch?v=btirbpVkVho

Num bar de Ribeirão Preto eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo, nas altas rodas da grã-finagem
Nisso chegou um peão trazendo na testa o pó da viagem
Pediu uma pinga para o garçom, que era pra rebater a friagem

Levantou um almofadinha e disse pro dono não tenho fé
quando um caboclo que não se enxerga, num lugar desses vem por
os pés

Senhor que é o dono da casa não deixe entrar um homem
qualquer principalmente nessa ocasião que está presente o rei
do café

Foi uma salva de palmas gritaram vivas pro fazendeiro
que tem um milhão de pé de café por este rico chão brasileiro
O seu nome é conhecido até no mercado dos estrangeiro

Por tanto veja que este ambiente não é pra qualquer tipo
rampeiro

Num modo muito cortês respondeu o peão pra rapaziada
essa riqueza não me assusta topo em aposta qualquer parada
Cada pé do seu café eu amarro um boi da minha boiada
e pra vocês todos isso eu garanto que ainda sobra boi na invernada

Foi um silêncio profundo o peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiros disse ao garçom pra guardar o
trocado

Quem quiser saber meu nome que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina e perguntar pelo Rei do Gado.

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