A atual crise financeira

“Pois as mesmas opiniões recorrem em ciclos entre os homens, e não apenas uma ou duas vezes, ou só ocasionalmente, mas infinitamente reiteradas.” (Aristóteles)

A crise do sistema financeiro e da economia real que estamos vivendo neste momento em todo o mundo, originada principalmente em razão dos efeitos da crise do crédito hipotecário nos Estados Unidos, é a maior desde a grande depressão de 1929 (que persistiu por longos anos). É bom lembrar, no entanto, que a duração, a intensidade e a recuperação da crise de 1929 sofreram substancial variação entre os países na época. Nos Estados Unidos, como exemplo, foi possível verificar um melhor cenário somente em 1933.

Nos últimos meses, especialistas chegavam a apontar para um possível “descolamento” da economia de alguns países em desenvolvimento, incluindo o Brasil – dos severos efeitos da crise norte-americana. Evidentemente logo se percebeu que tal suposição denotava profunda ingenuidade. O consumo nos Estados Unidos sempre foi o motor do crescimento mundial e em nenhuma crise anterior o consumidor norte-americano estava tão endividado como está agora. Até mesmo a China sofre impacto, pois é notória a sua dependência do consumo dos Estados Unidos e da Europa.

O Banco Central norte-americano já sabe que pode caminhar para um cenário de deflação. Com isso, o devedor ficará ainda mais endividado. Os preços da sua casa, da sua fábrica, de seus bens, de seus estoques perdem valor. Neste cenário, mesmo que o Banco Central corte as taxas de juros, a taxa de juros real ficará positiva, pois os preços estarão com variação negativa.

Com o aumento do rigor na análise do crédito e com uma significativa diminuição do consumo (já observada nos mais diversos setores da economia), os efeitos da crise certamente continuam e tudo indica que devem sofrer maior agravamento em 2009, bem como o inevitável crescimento do índice de desemprego.

Há perspectiva de recuperação global? Sim, em 2012. Para o desemprego, possivelmente no quarto trimestre de 2010. A boa notícia é que nas crises anteriores, as ações necessárias para conter a espiral da deflação e os demais efeitos da crise foram tomadas com um atraso muito grande. O mundo era completamente diferente, bem como os métodos e sistemas de proteção existentes.

O momento atual me faz lembrar uma entrevista do empresário Carlos Slim Helu, bem antes da crise, quando descrevia os princípios centrais do seu modelo de administração: a praticidade, austeridade, adoção de estruturas simples e o investimentos em ativos rentáveis. A riqueza, dizia Slim Helu, deve ser administrada com eficiência, probidade, eficácia e sobriedade.

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