Umberto Eco

Há também um texto muito interessante de UMBERTO ECO, publicado pelo jornal Gazeta Mercantil (originalmente no Die Welt) temendo o colapso da comunicação e que chegou ao nosso conhecimento por mensagem enviada por AMADEU VIDONHO JR. na lista Cyberlawyers há muito tempo:

“[…] Hoje existe o perigo de que 6 bilhões de pessoas tenham 6 bilhões de enciclopédias diferentes e que já não consigam se entender entre elas. ECO considera, inclusive, que essa proliferação de culturas individuais pode ser, a longo prazo, um perigo maior do que o confronto verificado hoje entre o Islã e o Ocidente. ECO parece acreditar na possibilidade de radicalização das individualidades e na total relativização dos valores culturais. “Nada de Islã contra Ocidente, e sim de você contra mim, este é um dos grandes perigos do futuro”, afirma ECO. Seria uma espécie de colapso cultural causado pelo conflito entre indivíduos. Antes da internet, segundo o intelectual italiano, a cultura tinha uma função de filtro, que determinava, por exemplo, que “saber quando Júlio César morreu é importante, enquanto a data da morte de sua mulher, não”, afirma. “Com a internet essa valoração se anula”, explica ECO. A hierarquização do conhecimento passa a seguir critérios puramente individuais e não mais é orientada por valores culturais definidos consensualmente. Por outra parte, ECO se manifesta contra a tendência de alguns intelectuais de assumir um papel de “oráculo” para dar resposta a todos os problemas locais e globais. Essa tendência, que é verificada em todo o mundo e leva, por exemplo, cientistas políticos a falarem de questões de estratégia militar e sociólogos a tratarem com desenvoltura de política internacional em meios de comunicação de massa, tem a ver, segundo ECO, com a decadência das ideologias e dos partidos, e leva muitos intelectuais a aparecer na televisão para falar de múltiplos temas. “Mas, como não sabem de tudo, dizem besteiras que acabam tendo influência“, diz. O escritor afirmou que, como intelectual, é preciso se defender e dizer que não há respostas (ou que não se conhece a resposta) quando este for o caso, apesar de alguns jornalistas se decepcionarem. (Gazeta Mercantil/Caderno A – pág. 15)  – 01.10.2004 – Veja maiores detalhes aqui.

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