Privacidade, redes de relacionamento etc.

Veja o exemplo do Orkut e outras experiências de desenvolvimento de redes de relacionamento. Dizem que as pessoas são mais sociáveis em condições em que possam controlar a apresentação de si mesmas. Ressaltamos os escritos de STANLEY MILGRAM a respeito o fenômeno do “small world” ao defender que existem apenas 6 graus de separação entre grupos de pessoas. Entre outras palavras, cada pessoa pode estar conectada a qualquer outra pessoa por apenas 6 graus de separação. Obviamente que novas teorias sobre redes sociais recebem grande desenvolvimento nos últimos tempos e alguns posicionamentos diversos, mas livre de qualquer investigação científica mais aprofundada sobre o tema, não há dúvida que o “NETWORKING” produz efeitos muito importantes e interessantes, principalmente na atualidade. O tema desperta interesse pois em plena era da Internet assistimos o entrelaçamento de espaços e tempos sociais distintos em só lugar: o tão conhecido “ciberespaço”. Curiosa a análise do impacto da “polarização de grupos sociais pela Internet” realizada em um artigo do Jornal “The New York Times”. A polarização acontece quando diversas pessoas com pensamentos semelhantes dentro de um grupo isolado ratificam reiterada e reciprocamente seus pontos de vista, caminhando para a adoção de posições cada vez mais extremadas. Um dos primeiros gurus da Internet, DAVE CLARK do MIT (Massachussets Institute of Technology) afirmou em 1992: “Nós rejeitamos reis, presidentes e eleições. Nós acreditamos em um consenso indeterminado e em um código em transformação”. No entanto com as constantes demonstrações de controle governamental e sobretudo empresarial a partir do boom comercial da Internet em 1995, muita coisa mudou. ANDREW SHAPIRO, Professor convidado da Faculdade de Direito de Yale e autor de “A revolução do controle”, afirmou que a euforia inicial a respeito do ciberespaço foi substituída por “uma espécie de ‘tecno-realismo’, e uma segunda geração de livros sobre a Internet que adotam um ponto de vista bem mais crítico. LAWRENCE LESSIG,  Professor de Direito da Universidade de Stanford, argumenta em seu livro “Código” (“Code”), publicado em 1999, que o enorme volume de informações pessoais que os usuários revelam ao fazer compras on-line, navegar em websites, ou solicitar informações oferece oportunidades extraordinárias para que os governos e as empresas controlem suas vidas. O ciberespaço irá se tornar uma perfeita ferramenta de controle. Escrevi brevemente sobre a tutela constitucional da intimidade, sobre os efeitos da tecnologia da informação em relação à privacidade em capítulo deste livro. (“Os sistemas de proteção ao crédito atuando contra a preservação da empresa – Do Direito à Privacidade”. In: SILVA, José Geraldo Guimarães da; GUIMARÃES, Antônio Márcio da Cunha. (Org.). Direito Bancário & Temas Afins. Campinas: Lex Editora, 2003. v. 1, p. 505-537.)

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