Ciberespaço

“Trata-se de um novo saber, uma nova ética de caráter semiótico que está surgindo não apenas como campo epistemológico entre a biologia, física e psicologia social, mas sobretudo como um saber contemporâneo reencantado: a arte/ciência geral do intercâmbio e das trocas e como uma prática de multiplicação e sincronia do tempo social.  […] No prelúdio do século, BENJAMIM distinguiu duas sensibilidades modernas: a do livro (da sofisticação formal das vanguardas, da concentração, do esforço cognitivo que entra no discurso) e a do cinema (da diversão distraída das massas, do espetáculo, do entretenimento em que o discurso entra em seu receptor). […] Para LATOUR, os modernos alimentam um estranho gosto pela marginalidade: ou são objetivos, ou subjetivos; ou locais, ou universais. […] O ciberespaço, no entanto, não é (apenas) um espaço imaginário formado por sonhos, mitos e imagens do inconsciente, mas sobretudo uma realidade da qual não podemos ser excluídos [muito menos ignorar] – […]  É formado por redes e conexões, não apenas entre os pólos natural e social, mas, sobretudo, entre o micro, os contextos interpessoais localizados, e o macro, as generalizações impessoais. Menos universal e abstratas que os sistemas e menos concretas e circunstanciais que os fractais, as redes do ciberespaço são também agenciamentos intermediários entre o local e o global. […]  Para LEVY, o ciberespaço é um estágio avançado de auto-organização social ainda em desenvolvimento (a inteligência coletiva), o Espaço do Saber, em que o conhecimento seria o fator determinante.” GOMES, Marcelo Bolshaw.  A anatomia do ruído – Estudos de cibercultura e complexidade. O Hermeneuta. 1999.

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