Archive for February, 2011

Ciência da Confiança

Monday, February 21st, 2011

No tema da criptografia, da assinatura e certificação digital, das chaves públicas, etc., importante lembrar as palavras de Jacques Stern (especialista em criptologia, autor de “La Science du Secret”) que foram publicadas pelo jornal francês Le Monde  no excelente artigo “La cryptologie à l’ère de l’informatique.” Dizia Stern, no referido artigo traduzido no Brasil por Luiz Roberto Mendes Gonçalves e publicado no Jornal Folha de São Paulo em 29 de abril de 2001, Caderno “Mais!”, pág. 20 – “(…) Em seu livro “Criptografia Militar”, publicado no fim do século XIX, Auguste Kerckhoffs enuncia claramente as necessidades operacionais colocadas pela criptografia em termos de segurança, mas também de simplicidade e rapidez. Kerckhoffs afirma que o mecanismo de codificação, isto é, o que define a passagem do texto claro para o texto cifrado, ou criptograma, deve poder cair sem inconvenientes nas mãos do inimigo. (…) Dos princípios de Kerckhoffs às máquinas codificadoras passaram apenas algumas décadas, ritmadas pelos progressos da técnica. As máquinas eletromecânicas, como a Hagelin ou a Enigma, surgiram entre as duas guerras. Elas realizavam substituições consideravelmente mais complexas do que as até então permitidas pelos métodos artesanais. O inimigo estava diante de centenas de milhões de combinações possíveis, e os Estados-maiores acreditavam que suas correspondências estratégicas estivessem protegidas. Enganavam-se: em 1939, o governo britânico reuniu uma equipe de especialistas que desvendou os códigos alemães. A partir de 1941 os aliados puderam ler as mensagens cifradas da Alemanha. Dessa forma, a criptologia esbarrou na era da informática antes mesmo de seu início: a decriptação do enigma exigiu a construção de máquinas especiais, e foi Turing quem sugeriu a construção do Colossus, dotado de eletrônica, que quase no final da guerra atacou com sucesso as máquinas de código do Exército alemão.  (…)  Existe hoje,  uma “cultura criptográfica”, que se baseia nas pesquisas acadêmicas, mas se difunde muito além, principalmente na indústria, por meio dos trabalhos de padronização. O aparecimento da Internet criou uma verdadeira explosão de demanda por criptologia. A própria arquitetura da Internet a torna especialmente vulnerável: o protocolo IP, totalmente descentralizado, faz circular datagramas, ou “pacotes”, desprotegidos. Os próprios endereços IP, gerados pelos DNS (Domain Name Servers), não são livres de atos malignos. Os sistemas operacionais têm falhas de segurança. Daí decorre uma lista impressionante de ameaças: “sniffing” (escuta de pacotes), “spoofing” (substituição, alteração do cabeçalho dos pacotes IP), pirataria de DNS, negação de serviço, intrusões, disseminação de programas nocivos: vírus e cavalos de Tróia . (…) A utilização da criptografia não substitui os métodos tradicionais, baseados no controle de acesso, na gestão de “privilégios” de usuários ou de programas, o isolamento da rede local por “firewalls”, a filtragem dos pacotes IP por estes últimos, etc. Ela os completa. (…) A criptologia não é mais uma forma de dar uma vantagem estratégica a um Estado ou a uma organização, mas um conjunto de métodos que garante a proteção dos intercâmbios de cada um. Não é mais somente a ciência do segredo, mas a ciência da confiança.

Éducation Médiocre

Tuesday, February 8th, 2011
Prof. Antônio Vicente Golfeto e Prof. Pythágoras Daronch Silva
(Duas grandes referências na cidade de Ribeirão Preto em experiência, sabedoria e inteligência)

Sou nascido em Ribeirão Preto, então posso dizer: é uma cidade provinciana, uma “fazendona” com cerca em volta. Engana muito bem quem vem de fora. Culturalmente, é um desastre. A classe dominante, salvo raríssimas exceções, é composta por ignorantes e desocupados herdeirinhos do agronegócio e que agora são obrigados a ceder os espaços de seus históricos feudos para aqueles que eles denominam com todo o recalque possível de forasteiros invasores e outras denominações roceiras. O que ocorre com os forasteiros invasores – é que eles formam o seu próprio grupo e irritam ainda mais as gerações herdeiras que a cada dia, obviamente, ficam mais pobres – em todos os sentidos. Antigamente havia uma disputa evidente entre as famílias dos comerciantes des Champs-Élysées e a turminha do Sumaré e Alto da Boa Vista. Ribeirânia era terra de forasteiros. Ribeirão é hoje centro agregador de famílias especialmente oriundas de São Paulo (Capital) que buscam melhor qualidade de vida. Já virou cidade grande. Não é mais aquela Ribeirão Preto dos anos 70 e 80 que conheci tão de perto.

Ribeirão Preto, historicamente uma cidade de passagem, repito, sempre foi um desastre na área cultural. Não prestigia adequadamente pessoas como o Prof. Pythágoras Daronch Silva, “forasteiro gaúcho”, sociólogo, teólogo e filósofo que estudou com Fernando Henrique Cardoso, passou pela Universidade de Genebra na Suíça, fez mestrado em ÉTICA em New York, USA (1967) – orientado por Johannes Christiaan Hoekendijk. Ex-aluno de Jean-Paul Sartre e outras figuras impressionantes. Domina o idioma grego, inglês, francês. É uma das pessoas mais inteligentes, éticas e sérias que eu conheci aqui na roça. Uma honra para a nossa rústica comunidade campestre. E isso, só para dar 1 (um) exemplo. A alma mater do Golfeto é o Otoniel Mota. Nem preciso falar o currículo.

A ética é ontológica. Não existe ética na política. Existe o ser político ético. Se ele não é ético, automaticamente não haverá uma política ética.” (veja aqui) – Nicolau já dizia: “A primeira conjectura que se faz de um governante e de seu cérebro é ver os homens que ele tem em seu redor”

Já em relação ao cenário nacional, meu comportamento (com semelhante temor e paranóia) – será igual ao do Geraldo Vandré nessa entrevista:

“Consegui ser mais inútil do que qualquer artista. Sou advogado num tempo sem lei.

O investimento na área social é fundamental para o Brasil amadurecer como país.

A única solução para o Brasil é a educação.

Veja o que diz o jornal francês Le Monde: “L’éducation, véritable talon d’Achille du Brésil, demeure médiocre, notamment dans le primaire et le secondaire, et empêche de former la main d’œuvre qualifiée dont le pays a besoin en cette période de croissance.” (leia aqui)

É indispensável fazer uma grande transformação em todo o sistema educacional. Nenhum político tem a coragem de dizer a verdade, sob o risco de ser obviamente mal interpretado pelo povão fã do BBB. Qual verdade? –O povo brasileiro é ignorante.” – O concurso público para professor e a carreira docente – deveriam ser totalmente modificados e reconstruídos com base no modelo adotado para magistrados e promotores de justiça, por exemplo. O salário inicial de um professor poderia ser no mínimo uns R$ 18.000,00. Quero ver se não teríamos professores capacitados. Quero ver se o sistema educacional não seria totalmente reestruturado. Quero ver se a qualidade do ensino não seria muito diferente da absoluta decadência atual.

É o que eu vi escrito em uma placa na sala dos professores de uma escola nos Estados Unidos: “Our job is to teach and give and teach until the burden of ignorance is lifted” – Agora, se o professor também for um boçal, aí meus amigos, não adianta.

Mas uma coisa é assustadoramente certa, esse povo da “Well”, esse povão da velha elite herdeira de Ribeirão Preto tem razão em relação a alguns forasteiros.  Dou o braço à torcer. Eles acertaram. Mas ainda assim, prefiro aquela música do Sérgio Reis e do Almir Sater feita especialmente para explicar o que estou dizendo aquihttp://www.youtube.com/watch?v=btirbpVkVho

Num bar de Ribeirão Preto eu vi com meus olhos esta passagem
Quando champanha corria a rodo, nas altas rodas da grã-finagem
Nisso chegou um peão trazendo na testa o pó da viagem
Pediu uma pinga para o garçom, que era pra rebater a friagem

Levantou um almofadinha e disse pro dono não tenho fé
quando um caboclo que não se enxerga, num lugar desses vem por
os pés

Senhor que é o dono da casa não deixe entrar um homem
qualquer principalmente nessa ocasião que está presente o rei
do café

Foi uma salva de palmas gritaram vivas pro fazendeiro
que tem um milhão de pé de café por este rico chão brasileiro
O seu nome é conhecido até no mercado dos estrangeiro

Por tanto veja que este ambiente não é pra qualquer tipo
rampeiro

Num modo muito cortês respondeu o peão pra rapaziada
essa riqueza não me assusta topo em aposta qualquer parada
Cada pé do seu café eu amarro um boi da minha boiada
e pra vocês todos isso eu garanto que ainda sobra boi na invernada

Foi um silêncio profundo o peão deixou o povo mais pasmado
Pagando a pinga com mil cruzeiros disse ao garçom pra guardar o
trocado

Quem quiser saber meu nome que não se faça de arrogado
É só chegar lá em Andradina e perguntar pelo Rei do Gado.